Revistas‎ > ‎

Revista v. 01, n. 02

Qual será a pertinência de nesses nossos tempos retornarmos ao barroco? Aliás, será que se trata de um retorno, ou será que esta expressão longe de evocar tempos idos, encontra-se muito mais presente do podemos imaginar?
Neste número da Revista estas questões serão trabalhadas de diferentes modos. Na rica contribuição de Sérgio Paulo Rouanet com o artigo “O barroco ontem e hoje” vemos que o autor identifica certas características do barroco seiscentista com o de nossos dias, focalizando o poder manipulatório de nossa cultura atual e criticando um verdadeiro boom do neo-barroco, o qual problematicamente tenderia a idealizar o aspecto irracionalista do barroco.

Os trabalhos de Rafael Guarize de Almeida e de Marcela Figueiredo de Almeida e Silva apresentam-se instigados a localizar, dentre a diversidade das artes ditas modernas, suas respectivas possibilidades de relação com a expressão barroca ou com a ética que vigora nesta estética. Este último focaliza ainda uma relação entre o desenvolvimento da expressão barroca no Brasil e o acolhimento que a psicanálise encontrou em nosso país.

A razão pela qual Freud não reconheceu o surrealismo como a arte da psicanálise é tema da primorosa investigação de Fernanda Coutinho Machado, com o trabalho “A utopia dos sonhos”.

Nesta edição contamos ainda com a pérola a nós ofertada pela psicanalista Betty Fuks. Trata-se do ensaio “O saber feminino no terceiro milênio”, que tomando como mote uma reflexão sobre a abolição da sentença de morte por apedrejamento inflingida à Amina Lawal, mulher nigeriana e muçulmana, consegue não apenas falar sobre feminino, mas dirigir-se ao feminino de cada um, afetá-lo. Com isso dá espaço ao “continente negro”que nos habita, dando a esse “negro”o estatuto honroso que ele merece. Nesta perspectiva seu posicionamento ético na abordagem da questão, focalizando a afirmação desejante dessa mulher, ao invés de abordá-la como pobre coitada, revela que a ética da psicanálise pode frutificar para além do setting clínico, oferecendo através da amplificação de sua rigorosa transmissão uma importante contribuição para a cultura.

Agora portanto, basta que se preparem para esta viagem no tempo que aqui se revela em seu caráter de reversibilidade, de dobra, de torção. Apertem os cintos, ou os afrouxem se preferirem, e aproveitem.

Por Denise Maurano Mello




Ċ
Bruno Carvalho,
16 de out de 2016 12:23
Ċ
Bruno Carvalho,
16 de out de 2016 12:23
Ċ
Bruno Carvalho,
16 de out de 2016 12:23
Ċ
Bruno Carvalho,
16 de out de 2016 12:23